quinta-feira, 6 de maio de 2010

Crítica - A Estrada

Já foram tantas as vezes nas quais Hollywood destruiu o mundo e o tornou um lugar pós-apocalíptico, que mais uma vez não faria a menor diferença. Porém "A Estrada" (The Road, Eua 2009) é um filme deste gênero só que com um atrativo a mais, saem os atos heróicos do protagonista, que na maior parte dos filmes desse mesmo tema tem sempre a solução mirabolante que irá salvar o dia, e no lugar entra um homem comum que tem como único objetivo manter-se vivo no meio de todo o caos para ensinar o seu filho a sobreviver naquele mundo.

Pode-se afirmar que "A Estrada" é um filme de auto-descobrimento, tanto para o personagem do pai vivido pelo ator Vigo Mottersen (o Aragorn da trilogia Senhor dos Anéis) como para o personagem do seu filho vivido pelo ator adolescente Kodi Smit-McPhee. Ambos lutam pela  sobrevivência , em um mundo onde não há mais regras, e manter-se vivo a cada dia custe o que custar é o que importa para os habitantes do planeta que sobreviveram ao pesadelo do holocausto para viver um pesadelo ainda pior.

A narrativa do filme não é muito ágil e se baseia basicamente nos diálogos travados entre pai e filho, e são através desses, que ambos os personagens expõem os seus pontos de vista ao longo da viagem. Não será surpresa ao longo da projeção ver os protagonistas esbarrarem em situações que colocaram a prova a sua moral e ética, mas na luta pela sobrevivência em um mundo caótico acaba por prevalecer a lei do mais forte.

Um ponto interessante do filme é que a estrada, pode ser interpretada como sendo a própria vida, que nos conduz a algum lugar, porém nunca sabemos o que iremos encontrar pela frente e é exatamente essa sensação que os protagonistas tem quando a percorrem com o objetivo de chegar ao litoral, pois acreditam que ali encontraram condições de vida melhores. Mas como na vida somos obrigados a tomarmos alguns desvios quando algum perigo eminente nos ameça, e no filme isso é personificado pelos humanos que se tornaram canibais, que além de sequestrarem suas vítimas e as mantém prisioneiras em um porão de uma casa para que estas sirvam de alimento para o bando.

Outro tema presente no filme é a questão de não entregar os pontos e fraquejar diante das situações difíceis e cujas as decisões são igualmentes difíceis, como por exemplo em uma determinada cena o pai instruíu o filho a cometer o suícidio caso esse seja apanhado pelos "Homens Maus", como o garoto se refere ao bando que pratica o canibalismo no filme.

É importante notar que nesta jornada de auto-conhecimento os personagens não tem nomes, e isso  serve  para reforçar ainda mais a idéia do auto-conhecimento que é o tema central da trama.

Pode-se afirmar que "A Estrada" não é um filme comercial e sim um filme para ser visto com bastante atenção e depois se refletir sobre as idéias que o filme passou, pois assim como na vida seguir pela nossa própria estrada, nunca será uma tarefa das mais fáceis. Saber o que há no final é impossível, tomar desvios serão necessários, assim como retormar o rumo certo também. Pessoas passaram pelas nossas vidas e sairão dela do mesmo modo que entraram, outras deixaram lembranças e outras nos ajudaram a seguir em frente.

No final a conclusão que se chega é que a "A Estrada" nos mostra nada mais, nada menos que as estradas das nossas vidas, com todos as suas dificuldades e armadilhas.

Caminhar pela estrada, assim como fazem os protagonistas do filme, nunca será uma tarefa fácil, porém com coragem e fé chegar ao fim do caminho será menos árduo do que para aqueles que não tem esses sentimentos dentro de si.

Nenhum comentário:

Postar um comentário