Desde que as primeiras notícias de que Tim Burton iria passar para as telas do cinema o clássico livro de Lewis Caroll, o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi "finalmente vão fazer uma versão a altura do livro de Caroll. Pois a versão "fofinha" da Disney em desenho animado de 1951 somente toca de raspão o texto de Caroll. Daí veio uma outra notícia de que a Disney estaria envolvida no projeto de Burton, e este por sua vez retornaria a sua primeira casa, ai pensei "pronto teremos a versão fofinha em carne e osso". Ledo engano "Alice no País das Maravilhas" (Alice in Wonderland, EUA 2010) além de ter um visual arrebatador, não é nem perto um filme infantil, tamanha a sua carga de questões filosóficas e perfis psicológicos que cada personagem apresenta.
Para não ter um roteiro muito semelhante ao desenho animado, Burton situou a sua versão da história 10 anos após os acontecimentos da versão animada. Convocou um time de atores com os quais já realizou vários de seus trabalhos, isso significa Johnny Depp (Chapeleiro Maluco) e Helena Bonham Carter (Rainha de Copas) e somado a eles ainda estão no filme Anne Hathaway (Rainha Branca), Crispin Glover (Valete), a estreiante Mia Wasikowska (Alice) e as vozes de Alan Rickman (Absolom) e Christopher Lee (Jaguadarte).
Na versão de Burton então Alice está com 17 anos e esta prestes a ser pedida em casamento perante a centenas de pessoas da alta sociedade, durante uma festa Vitoriana. Porém Alice avista o Coelho Branco, o mesmo que a 10 anos atrás a atraiu para o mundo subterrâneo. E neste momento Burton saca mais uma idéia interessante para a sua versão, Alice simplismente esqueceu que estivera naquele mundo subterrâneo e para ela aquela primeira visita não passou de um sonho. Porém as coisas naquele mundo mudaram desde que Alice voltou para a superfície e a Rainha de Copas - vivida de forma expecional por Helena Bonham Carter - dominou e subjulgou todos os habitantes aos seus caprichos, porém um grupo ainda resiste a se subjulgar a rainha e vê em Alice a sua salvação, porém está continua a achar que tudo aquilo é um sonho e cabe a ela, e somente ela, encontrar o seu papel no meio de tudo que está ocorrendo.
É verdade que assim como Lewis Caroll introduziu enigmas e trocadilhos em seus livros sobre a personagem, Burton não poupa os espectadores em detalhes visuais, trocadilhos e frases ditas pelos personagens. Um exemplo disso é o campo onde é travada a batalha final do filme, olhando com atenção vemos perfeitamente um imenso tabuleiro de xadrez onde a batalha é travada. Ou seja os objetos de cena não estão lá por mero acaso eles tem a sua participação na constituição de cada cena.
A versão 3D melhora ainda mais o que já seria bom em 2D e se visto ainda em um cinema com cópias legendadas em 3D fica melhor ainda. Burton e sua equipe se deram ao trabalho, assim como Lewis Caroll de criar palavras esquisitas para serem didas por alguns personagens, principalmente o Chapeleiro Maluco de Depp.
Lógico que não poderia faltar a trilha sonora de Danny Elfman, parceiro de Burton na maioria dos seus filmes, que não deixa a desejar em nenhum momento da projeção dando o tom certo em cada cena do longa.
O visual é um show a parte, pois o País das Maravilhas imaginado por Burton está longe de ser algo sombrio e cinzento como pensaram todos ao ter sido anunciado que ele dirigiria o filme. Ao contrário disso Burton nos dá um mundo colorido e tão rico em detalhes que o visual passa a ser parte integrante da trama a todo o momento.
Fechando tudo isso a maneira como foi imaginada a troca de figurino da personagem durante o filme é perfeita, pois Alice hora cresce ou diminui de tamanho ao comer ou beber algo naquela terra de sonhos e fantasia. E o figurino da atriz Mia Wasikowska que vive Alice, foi exatamente imaginado para dar maior flexibilidade nas cenas em que isso ocorre.
Por tudo isso "Alice no País das Maravilhas" é desde já um integrante da seleta lista de melhores filmes lançados em 2010 e com certeza já tem lugar garantido entre as 10 indicações de melhor filme do ano.
Não será surpresa se alguém se arriscar a descer pelo buraco do coelho mais de uma vez para visitar esse mundo mágico e cheio de nuances criado por Burton e desvendar certos enigmas que não desvendou na primeira visita.
Não será surpresa se alguém se arriscar a descer pelo buraco do coelho mais de uma vez para visitar esse mundo mágico e cheio de nuances criado por Burton e desvendar certos enigmas que não desvendou na primeira visita.


Nenhum comentário:
Postar um comentário