terça-feira, 5 de julho de 2011

Crítica - Meia Noite em Paris

Woody Allen sempre fez filmes do estilo que ou você os ama ou você os detesta, ou seja, não há o meio termo em toda a sua filmografia. Pode-se dizer que a turnê europeia de Allen que passou Londres com "Match Point: Ponto Final" (Match Point, EUA 2005), "Scoop - O Grande Furo" (Scoop, EUA 2006) e "O Sonho de Cassandra" (Cassandra's Dream, EUA 2007), depois Allen foi para a Espanha onde rodou o sensual "Vicky, Cristina, Barcelona" (Vicky, Cristina, Barcelona, EUA 2008) e parecia ter parado a sua turne pela Europa por ai, pois os seus dois filmes seguintes voltaram para os EUA.

Porém Allen voltou as suas lentes para a cidade luz e "Meia Noite em Paris" (Midnight in Paris, EUA 2011) é um filme com a marca registrada do diretor e que une em um único longa a fotografia de uma metrópole Europeia e os diálogos ácidos de toda a obra do diretor na fase em que este filmava em Nova York.

O filme conta a história do escritor e roteirista Gil (Owen Wilson), que está em viagem a Paris com a noiva e os sogros, porém Gil não esconde o seu desejo de ter vivido em Paris em plena década de 20, quando grandes nomes da arte e da literatura viveram por lá e estavam no auge de suas criações. O desejo de Gil se torna realidade em uma noite após sair andando pela cidade e se perder e não conseguir chegar novamente ao hotel onde está hospedado e em um passe de mágica este é transportado por um antigo Pegeout para a própria década de 20.

A partir daí Allen faz com que o seu protagonista se encontre e debata as suas idéias e percepções com figuras como Ernest Hemingway (Corey Stoll), F. Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston), Zelda Fitzgerald (Alison Pill), Cole Porter (Yves Heck) entre muitos outros grandes nomes. Porém sempre de manhã Gil volta a sua realidade, ou seja, retorna ao tempo presente e desejando retornar ao passado mais uma vez.

Owen Wilson, que já trabalhou em diversos filmes de comédia e nunca esteve em papéis mais sérios, agora tem a chance de se firmar como um ótimo ator, pois ele está perfeito no papel e em muitos momentos dá para reconhecer os trejeitos do próprio Woody Allen nos diálogos de seu personagem quando este está debatendo os seus pontos de vista com os personagens que vai encontrando durante o filme.

A fotografia é outro trunfo do filme e Allen consegue captar belíssimas imagens de Paris e de seus arredores, sempre com uma câmera que valoriza a paisagem, nas cenas externas como as que se passam no Palácio de Versailles, ou em locações como os cafés em que Gil encontra com os demais personagens da década de 20. E como não podia deixar de ser o figurino recria muito bem a época.

As atrizes continuam sendo uma atração a parte nos filmes de Allen e agora o diretor aposta em duas atrizes que além de chamarem atenção pela sua beleza, são ótimas atrizes e já se destacaram em outros longas e Marion Cotillard e Rachel McAdans, não decepcionam e interpretam bem as suas personagens.

Outro ponto de destaque é o roteiro que não deixa brechas e tudo é bem resolvido, como já se espera de um filme do diretor. A forma encontrada para que Gil seja transportado a década de 20 é realmente um dos destaque do roteiro, e tudo o que se passa nesta época irá se refletir de alguma forma na vida de Gil ao retornar para a época atual.

Porém se "Meia Noite em Paris" tem tantas qualidades, o mesmo não é um filme para o grande público, devido ao grande volume de referências a literatura, pintura, música e ao cinema que estão permeados ao longo de todo o filme, somente quem já teve contato de alguma forma com os personagens citados irá entender as referências e achar graça do que esta sendo dito. Allen neste ponto optou por não explicar muito e deixar a referência ali para que quem já conhece entender.

O filme no final agrada a uns e desagrada a outros, como é de se esperar de um filme de Woody Allen, pois apesar de não estar filmando em Nova York, o diretor fez um filme que se assemelha demais a sua produção em terras americanas, ou seja, diálogos inteligentes, personagens cativantes e com um reforço de estarmos em uma capital européia que já serviu de cenário para inúmeras produções e agora é eternizada pelas lentes de Allen.

Nenhum comentário:

Postar um comentário