De tempos em tempos Hollywood tenta reciclar o que já foi feito anteriormente e dar uma nova roupagem a filmes que já ganharam as telas do cinema em anos anteriores. Primeiro foram os reboots que "reinventaram" algumas das franquias como "Batman", o não tão bem sucedido "Superman - O Retorno" e mais esta por vir. Porém uma nova moda esta surgindo em Hollywood a de contar as origens dos personagens e foi exatamente desta premissa que surgiu a idéia de contar a origem de certos heróis.
A primeira tentativa foi com "X-Men Origins: Wolverine" (EUA, 2009), onde a idéia principal era contar a origem do personagem Wolverine, desde a sua infância, passando pelo momento em que ele se torna a arma X e de como ele perdeu a sua memória. Porém o tiro saiu pela culatra e o filme que tinha tudo para dar certo é uma sucessão de equívocos que deixaram os fãs desapontados e parecia ser o final desta idéia.
Dois anos se passaram e a Marvel Studios e Fox resolveram colocar na tela um projeto muito mais ousado, pois após ter consolidado a franquia dos mutantes da Marvel no cinema com a trilogia X-men. Era hora de contar a origem daquela equipe e "X-Men: Primeira Classe" (X-Men: First Class, EUA 2011) surpreende a todos pela sua linha narrativa, roteiro e atuações que dão vida aos personagens.
O filme começa com a mesma cena que abriu o filme X-Men original de 2000, com Erik Lehnsherr ainda garoto sendo levado para um campo de concetração alemão e vendo os seus pais serem executados. Na próxima cena vemos Charles Xavier ainda menino encontrando uma outra mutante em sua casa e então ele acaba por acolhe-lá. Após essa introdução o filme avança para os anos 60 onde uma nova ameaça está surgindo, pois o mundo está a beira de uma guerra nuclear e quem está por trás desse plano é Sebastian Shaw (Kevin Bacon) e líder do Clube do Inferno que quer utilizar a guerra para exterminar os humanos e o mundo se tornar somente dos mutantes.
Enquanto isso Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) já adulto começa a perseguir os seus algozes em várias partes do mundo, até conseguir encontrar o nazista que assassinou a sua mãe a sangue frio na sua frente. Em uma das suas viagens é que o seu caminho irá cruzar com o de Charles Xavier (James McAvoy), após esse último ser recrutado pela agente da CIA Moira McTaggert (Rose Byrne) para localizar e juntos tentarem neutralizar os planos de Shaw, mas este tem o seu próprio grupo de mutantes ao seu lado e é neste momento que Xavier percebe que se quiser enfretar Shaw deve recrutar o seu próprio grupo de mutantes e treiná-los.
Para colocar tudo isso na tela foi recrutado o diretor Matthew Vaughn, que já tinha dirigido o excelente "Kick Ass: Quebrando Tudo" (EUA,2010) e com um ótimo roteiro nas mãos e uma excelente direção de atores faz com que "X-Men: Primeira Classe" seja um filme que supera todas as expectatívas.
Como é um filme que trata de origens muitos que conhecem a história dos mutantes verão no filme como surgiram alguns dos apetrechos utilizados pelos personagens em filmes que se passam no presente, então iremos ver a criação do Cérebro (máquina utilizada pelo Professor Xavier para localizar mutantes), o primeiro Black Bird e entre muitos outros.
Porém o grande destaque do filme é sem sombra de dúvidas as atuações de James McAvoy e Michael Fassbender, como Professor Xavier e Magneto respectivamente, que tinham a responsabilidade de criar toda a base dos personagens que nos filmes anteriores foram interpretados por Ian McKellen (Magneto) e Patrick Stuart (Professor X). Os atores conseguem fazer isso e ainda prepararem os seus personagens para os próximos filmes da franquia que virão.
Os efeitos especiais estão mais modernos e com isso quem ganha é o público que pode ver na tela os mutantes utilizando os seus poderes em muitas cenas do longa, como na cena da Crise dos Mísseis Cubanos onde os mutantes de Shaw lutam contra os mutantes de Xavier e Erik.
Talvez o único ponto negativo do filme seja a mutante Emma Frost (January Jones), que apesar do figurino sensual de sua personagem, não soube dar vida a Rainha Branca do Clube do Inferno, como a personagem dos quadrinhos que se valia de sua sensualidade, aliada aos seus poderes de telepata para conseguir o que desejava dos seus inimigos. Porém esse pequeno detalhe não é suficiente para estragar todo o resto.
Ao que parece novamente a Fox e a Marvel estúdio tem nas mãos a oportunidade de começar uma nova franquia dos mutantes em uma época diferente, que irá deixar muitas portas abertas para as histórias que serão contatas a partir daí.
Porém o mérito maior do filme é tratar de uma questão que é presente no universo mutante, que é a questão das diferenças raciais entre humanos e mutantes, além dos mutantes aceitarem o que eles são. São esses mutantes que vão defender a humanidade dos mutantes que se viraram contra a mesma. E essa é a base de todas a história dos mutantes da Marvel.
No final o filme é um ótimo exemplar de que aliado a um bom roteiro e boas atuações dos atores é possível contar as origens dos personagens de forma que estes devem ser tratados e quem sai ganhando é o público. Agora é aguardar para que em um futuro próximo possamos ver nas telas uma segunda classe e quem sabe um filme que irá conectar a antiga geração de mutantes com a que todos nós conhecemos no filmes da trilogia original.


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