domingo, 5 de agosto de 2012

Crítica - Valente

O estúdio de animação Pixar sempre foi sinônimo de qualidade tanto nos seus roteiros, quanto na qualidade gráfica de seus filmes, foi assim com a trilogia Toy Story, o criativo "Ratatouille" (EUA 2007), o emotivo "UP - Altas Aventuras" (UP, EUA 2009) e com os divertidos "Monstros S.A" (Monster INC, EUA 2003) e Procurando Nemo (Finding Nemo, EUA 2004) ou o poético "Wall E" (Wall E, EUA 2008). Sendo que todos esses filmes eram somente distribuídos pela Disney, ou seja, todo processo criativo cabia a própria Pixar.

Porém parece que esta história mudou um pouco com o lançamento de "Valente" (Brave, EUA 2012). A Pixar cedeu por assim dizer aos caprichos da Disney e coloca muito elementos neste seu novo filme que dão a entender que sairam direto de lá. Para começar temos a primeira protagonista mulher, além é claro dela ser uma princesa. Segundo ponto é que existe no filme uma bruxa e um feitiço que coloca a princesa em uma situação que terá que resolver e terceiro temos ainda as canções que estão ali para complementar o que se passa na tela. A conclusão que chegamos é que após muito tempo a Pixar se rendeu a Disney e fez um conto de fadas com a qualidade gráfica de seus filmes anteriores.

A roteiro não tem muitas surpresas e se tratando de Disney está tudo lá e sem muitas novidades. Logo no início do filme somos apresentados a Merida ainda criança e aos seus pais a Rainha Elianor e o Rei Fergus. Após a abertura já vemos Merida já crescida e que demonstra ter uma personalidade forte e quer ter o controle do seu próprio destino, mas a sua mãe a está educando para ser uma princesa a moda antiga e as coisas irão se complicar quando Merida ir contra aos costumes e disputar a sua própria mão em um tornei de arco e flecha e ganhar dos seus pretendentes. Após o ocorrido e depois de discutir com a sua mãe Merida foge para a floresta, encontra uma bruxa (peraí isso já foi feito antes nos filmes da Disney), arruma um feitiço que irá se abater em sua mãe que é transfigurada em um urso (isso mesmo... e não estamos assistindo a um Irmão Urso 2 nas telas do cinema) e lógico deverá descobrir o que realmente é ser valente para desfazer o que foi feito.

Graficamente "Valente" é lindo de se ver em 3D pois os efeitos funcionam a favor do filme, o grande problema do filme é o seu fraco roteiro e a impressão de não estarmos vendo um filme da Pixar e sim da Disney. Até as tocantes cenas da Pixar que faziam realmente o público choras foi substituída por uma cena bem piegas ao final do filme que não arrancam lágrimas, por já terem sido vistas a exaustão nos filmes da Disney e no mesmo formato. Esqueça a fantástica sequência inicial criada para o emotivo "UP - Altas Aventuras" onde sem diálogos e somente com música o público realmente chorava ou a sequência final de "Toy Story 3", que arrancava lágrimas fácil do público adulto que assistia ao filme. Isso não irá ocorrer em "Valente".

Pode-se dizer então que falta uma alma a nova produção da Pixar e isso fica evidente ao longo de toda a projeção do filme e chegamos a uma conclusão que a Pixar teve que ceder aos caprichos da Disney e entregar algo que o tivesse a cara da sua distribuídora.

Existem alguns elementos que salvam o filme de um desastre quase que total, a trilha sonora é um destaque que chama atenção ao longo de toda a projeção, as paisagens da antiga Escócia - onde a história se passa - foram resconstituídas com fidelidade e são o grande destaque do filme, que se visto em 3D ganham profundidade e são belíssimas paisagens, como o penhasco com a cascata onde Merida faz uma escalada para beber água em uma de suas andanças pelo bosque. Se não fosse pelos belíssimos cenários "Valente" seria um desastre completo.

Para o futuro podemos esperar então que a Pixar volte a sua forma e nos entregue melhores produções, com os seus roteiros originais, com os seus personagens cativantes que mesmo sem falarem e só com expressões conseguiam contar a história que se desenrolava. Pode-se dizer então que "Valente" é a mais fraca das produções da Pixar e ao final do filme o público terá a impressão que faltou algo ou muita coisa para ser um produto dos estúdios que nos deram tantos filmes com temas tão inusitados que eram saborosas surpresas para o público tanto infantil como adulto. Agora nos resta esperar pelo próximo filme da Pixar e torcer para que "Universidade Monstro" (Monster University, EUA 2013) não estrague o criativo "Monstros S.A", bem vamos esperar para que a Disney tenha ficado bem ocupada com "Valente" e não tenha dado pitacos nesse.

Ahh sim antes do filme o poético curta "La Luna" esse sim um autêntico curta da Pixar mostra que o estúdio tem muitas histórias para contar a sua maneira, sem ter que ceder aos caprichos de sua sócia e distribuídora.

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