Quando a Warner Bros sinalizou que iria fazer um novo filme do Batman, após os fracos filmes do herói do final da década de 90, que pareciam ter enterrado a franquia de vez, foi quando então saiu mais uma notícia de que o filme não seria uma continuação dos demais e sim um recomeço para o Cavaleiro das Trevas no cinema. Para executar essa missão foi convocado o diretor Christopher Nolan, que surpreendeu a todos já no primeiro filme de 2005 e "Batman Begins", recontou a origem do herói e levou as telas uma história a altura do personagem e o final do filme já anunciava que um segundo já estava a caminho e todos já se perguntavam será que seria melhor que o original? A resposta Nolan nos deu três anos depois em 2008 e "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (The Dark Knight, EUA 2008) era melhor que o seu antecessor e para muitos fãs do herói, o melhor filme do personagem já feito. Seria possível então superar o filme e fazer um desfecho a altura da série, mesmo após a morte do ator Heath Ledge, que interpretou com maestria o Coringa, o arquiinimigo de Batman?
Em 2012 finalmente teriamos a resposta a todas as questões que na época do segundo filme foram colocadas no ar de como encerrar a história? Como fazer algo melhor do que já fora feito até ali? E mais uma vez Christopher Nolan e seu irmão Jonathan Nolan, escreveram um roteiro que seria sem sombra de dúvidas a história definitiva sobre o herói, fechariam com chave de ouro a sua trilogia e ainda deixam um legado para quem quiser continuar a contar as histórias do Cavaleiro das Trevas na tela grande.
O último filme da trilogia começa 8 anos após os acontecimentos narrados em "O Cavaleiro das Trevas", Batman agora é um fugitivo da lei e é acusado de ser o assassino de Harvey Dent, que após a sua morte foi elevado ao status de herói e devido a isso foi possível a criação da Lei Dent, que tirou das ruas os criminosos de Gothan. Diante desses acontecimentos o Batman não é mais necessário e Bruce Wayne vive recluso em sua mansão e se afastou da vida pública e das Empresas Wayne, que agora são comandadas por Lucius Fox. Porém uma nova ameaça aparece em Gothan City e o terrorista Bane (Tom Hardy) surge para ser o antagonista de Batman no final da trilogia.
Nolan acerta na escolha do vilão e ainda coloca no filme a Mulher Gato (Anne Hathaway em uma interpretação perfeita da vilã), que entra na trama para jogar dos dois lados, hora em favor do Homem Morcego e hora em favor do vilão, ou seja, a personalidade da ladra Selina Kyle (a verdadeira identidade da Mulher Gato) foi explorada com perfeição pelo roteiro escrito por Nolan e seu irmão.
Se nos demais filmes da trilogia as tramas eram fechadas até certo ponto e algumas outras ficavam abertas, neste último capítulo todas as tramas e subtramas serão devidamente fechadas e isso se mostra como um dos grandes trunfos do roteiro, que trará ainda antigos personagens a cena. Porém não esperem alguma menção ao Coringa, pois em respeito a morte do seu interprete, Nolan não o cita no filme, porém em uma cena já quase no final da projeção é percebido que aquela sequência foi imaginada para o personagem pelo diretor.
As cenas de ação continuam a impressionar, sejam nas persiguições pelas ruas de Gothan ou nas cenas de luta entre Batman e Bane, que são muito bem coreografadas, além de serem violentas como exige um filme do herói. O primeiro confronto entre os dois é violento como nas HQs onde a cena em que Batman tem a sua coluna quebrada pelo vilão é reconstituída com todos os detalhes. Ainda entra em cena neste filme um novo veículo, nada mais nada menos que uma nave com o sugestivo nome de Morcego (e que não tem nada haver com a Bat Wing mostrada nos filmes de Tim Burton). Em meio a isso tudo Nolan ainda encontra brechas para algumas reviravoltas no roteiro, que garantem boas surpresas e revelações na medida em que a trama avança.
A trilha sonora continua pontuando as cenas de ação do filme, sendo praticamente a mesma que foi utilizada nos filmes anteriores da série e com algumas composições novas para outros momentos do filme.
Se os fãs achavam que seria impossível criar algo novo em relação ao personagem e encerrar a trilogia da forma que o personagem merecia "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" cumpre com perfeição a sua função e ainda deixa como já havia sido dito um legado. Ainda é cedo para dizer se veremos outros filmes do personagem seguindo os eventos narrados nesses filmes, porém se forem feitos que sigam esse legado, pois definitivamente o personagem se consolidou no cinema e deixou para trás todos fracos filmes anteriores e como dito em uma das frases de Alfred (Michael Caine) foi preciso o personagem cair para se reerguer e ocupar de vez o lugar que sempre mereceu na tela grande.
A Gothan imaginada por Nolan ainda tem muitas histórias para contar, mas temos que torcer para que sejam como essa trilogia, sombria, com roteiros inteligentes e com personagens e vilões a altura do Homem Morcego.


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