Martin Scorsese é um dos poucos diretores ainda na ativa em Hollywood que mantem uma constante regularidade em sua carreira, sendo ainda responsável por filmes do porte de "Os Bons Companheiros" (Godfellas, EUA 1990), "Taxi Driver" (Taxi Driver, EUA 1976), além dos recentes "Os Infiltrados" (The Departed, EUA 2006) e "Ilha do Medo" (Shutter Island, EUA 2010). Todos ótimos exemplos de filmes que levam a marca registrada do diretor.
Como a nova onda de Hollywood é a tecnologia 3D, não são poucos os diretores do porte do Scorsese que agora se aventuram pelo formato e o diretor entra de cabeça neste mundo com "A Invenção de Hugo Cabret" (Hugo, EUA 2011).
Como a nova onda de Hollywood é a tecnologia 3D, não são poucos os diretores do porte do Scorsese que agora se aventuram pelo formato e o diretor entra de cabeça neste mundo com "A Invenção de Hugo Cabret" (Hugo, EUA 2011).
No filme somos apresentados ao garoto Hugo Cabret (Asa Butterfield), um orfão que vive escondido pelas passagens que levam as torres dos relógios de uma grande estação de Paris nos anos 30. São nestes túneis que Hugo guarda uma descoberta do seu falecido pai, um autômato que o garoto acredita que quando este funcionar irá revelar um mensagem deixada pelo seu pai. Devido a isso Hugo constantemente rouba as peças de uma loja de brinquedo da estação para tentar com elas consertar o autômato.
E são dos relógios da estação que Hugo acompanha todo o dia-a-dia do lugar como acompanha-se um filme da cabine de projeção de um cinema, e ai esta a primeira homenagem de Scorsese a sétima arte. As demais irão aparecer ao longo do filme a medida que o garoto embarca em sua aventura ao lado da menina Isabelle (Chloë Grace Moretz, em mais uma ótima atuação) para decifrar a mensagem que será revelada pelo autômato.
Outro ponto forte do filme é o elenco coadjuvante que conta com atores como Christopher Lee, Emily Mortimer, Sacha Baron Cohen e Jude Law (em uma pequena participação como o pai de Hugo), mas isso não é necessário para garantir o bom desenvolvimento da trama do filme.
A direção de arte é impecável e não será surpresa alguma se levar a estatueta no Oscar 2012 e será um prêmio merecido, já ganhar os demais prêmios (o filme concorre a 10 estatuetas) será uma tarefa difícil diante do favoritismo de "O Artista" (já comentado aqui no blog e que foi completamente na contramão da tecnologia).
Porém o roteiro não acompanha a grandiosidade do filme de Scorsese, o mesmo se arrasta ao longo dos seus 126 minutos e as vezes chega a ficar bem lento. Salvam-se as homenagens ao início do cinema, principalmente aos filmes de Georges Méliès (Ben Kingsley).
Se visualmente o filme é perfeito, além do diretor ter feito bom uso da tecnologia 3D, porém fica o sentimento de que faltou o essencial ao filme, um roteiro mais convincente para fazer com que tudo funcionasse em perfeita harmonia como as engrenagens de um relógio, e ao terminar a projeção fica a sensação de ter faltado algo ao todo.
Com tudo isso Martin Scorsese fez um filme regular e não mais que isso, como homenagem ao cinema é perfeito, mas como um todo faltou uma história a altura não somente do diretor, mas com que o filme pretendia ser e que por algum motivo deixou de fora a engrenagem principal para que o todo funcionasse, uma trama perfeita assim como o todo o resto.


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