sábado, 16 de abril de 2011

Crítica - Rio

A cidade do Rio de Janeiro já serviu de cenário para diversas produções de Hollywood das mais variadas possíveis, porém a cidade nunca mereceu o devido destaque nestes filmes e além disso os roteiros só mostravam o que a cidade tinha de pior e as produções eram sempre de segunda linha. Mas esse quadro iria mudar e pelas mãos do diretor brasileiro Carlos Saldanha, responsável pela milionária franquia A Era do Gelo, e "Rio" (Rio, EUA 2011) é um filme que mostra a cidade como ela é.

No filme acompanhamos a história de Blu (voz de Jesse Eisenberg) uma ararinha azul que é capturada ainda filhote e enviada para os EUA, só que o caminhão de carga que a esta levando sofre um pequeno acidente e o caixote de Blu cai na rua e encontrado por Linda (voz de Leslie Mann) ainda criança. O tempo passa e Blu é criada em cativeiro por Linda. Até que um dia Tulio (voz de Rodrigo Santoro) localiza a ararinha nos EUA e convence Linda a levar Blu, por ser a última da sua espécie, para o Rio de Janeiro e acasalar com Jade (voz de Anne Hathaway) para então salvar a espécie da extinção.

Durante a noite o aviário de Túlio é invadido por traficantes de aves, que capturam Blu e Jade e o casal de ararinhas é levado para uma favela de onde serão vendidas para o exterior. É partir deste ponto que irá começar a aventura de Blu e Jade pelas ruas da cidade do Rio.

O roteiro escrito por Carlos Saldanha e Don Rhymer apresenta poucas inconcistências, porém essas não atrapalham ao resultado final do filme, que é sem dúvida o melhor retrato que a cidade do Rio ganhou em todos esses anos onde foi usada de cenários para os filmes que foram rodados por aqui.

E são os cenários da cidade que chamam atenção no longa. Indo da Praia de Ipanema a uma favela na região central da cidade, passando pela Lapa e o bairro de Santa Tereza, além do sambódromo todos esses cenários servem para contar as aventuras de Blu e Jade pelas ruas da cidade na época do Carnaval, alias Saldanha se vale dessa premissa para deixar a cidade mais colorida.

Os personagens que servem de coadjuvantes são outro show a parte do filme, pois assim como em A Era do Gelo, esses irão se encaixar perfeitamente na história que está sendo contada. O destaque fica por conta de Nico (voz de Jammie Foxx) e Pedro (voz de Will.I.Am) uma dupla de pássaros cantores que se unem a Blu e Jade para guiá-los em sua jornada pela cidade para fugir dos traficantes de aves e encontrarem Linda.

Outro destaque são os micos que são os capangas de Nigel (voz de Jemaine Clement), o vilão do filme que é a ave de estimação de um dos traficantes de aves. A cena em que os micos roubam os turistas em pontos turísticos do Rio mostra um pouco das mazelas da nossa cidade de uma forma um pouco mais humorada.

Somente a cena que se passa no Sambódromo fica um pouco destuada de todo o contexto do filme, pois parece estar ali somente para promover o Carnaval do Rio, pois se a mesma não existesse no filme não faria falta alguma, pois o clímax do filme não se passa nessa cena e sim na que vem em seguida, alias alguém já viu um carro alegórico andar livremente pelas ruas da cidade na época do Carnaval? Se não fosse por esses escorregões "Rio" seria um filme perfeito sobre a cidade. Mesmo com esses escorregões Saldanha nos brinda com um ótimo filme, com personagens cativantes e paisagens que são coisa de cinema.

A trilha sonora ficou a cargo de vários artistas brasileiros e estrangeiros, só que é o ritmo do samba que predomina nas músicas que compõem a trilha do filme. É de se estranhar que o funk que é um ritmo nativo da cidade tenha sido deixado de lado na trilha sonora.

Vale a pena assistir a versão em 3D, pois as cenas ganham uma certa dimensão em alguns momentos do longa e as cenas como a do vôo de asa deltas em torno do Cristo Redentor e a da fuga de Blu e Jade da favela.

Ao final da projeção teremos a certeza de ter assistido a um ótimo filme de animação e fica a certeza que em alguns anos iremos ver quem sabe um segundo filme com esses personagens, que colocaram definitivamente o Rio no roteiro das grandes produções cinematográficas de Hollywood.

2 comentários:

  1. Assisti hoje ao filme e gostei muito!Fiquei encantada com a riqueza de detalhes ao retratar as paisagens da cidade-até o prédio da Petrobrás e os casarões da Lapa foram retratados!-e a favela não caiu no lugar comum de se pôr bandidos armados.E teve o detalhe da moto,que demontrou bom conhecimento da realidade atual numa "comunidade".
    As cenas do carnaval ficaram lindas,porém o carro alegórico dos traficantes soou inverossímil,uma vez que no carnaval real aquela coisa nunca entraria na avenida.Já o resto me pareceu bem feito,inclusive notei semelhanças entre os adereços ali representados e outros que vi nos desfiles reais.
    O funk atual não apareceu,mas note-se que o clássico Whoomp There It Is,conhecido como Melô do Tererê (Uh!Tererê!),que fez muito sucesso aqui no Rio no início dos anos 90,aparece no comecinho do filme.
    BJS!

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  2. Realmente é um excelente filme, mostra a cidade como deve ser mostrada para o exterior. Agora tenho que concordar que a cena do carro alegórico dos traficantes de aves no sambódromo não se encaixa no todo, alias a cena fica destoada do todo, mas no final o resultado é muito bom.

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