domingo, 5 de setembro de 2010

Crítica - Karate Kid

O ano era 1984 e um filme despretencioso sobre um jovem que sofre "bullying" por parte dos valentões da cidade para o qual ele se muda com a sua mãe, aprende Karate com um senhor pelo qual ninguém daria nada, não antes sem pintar a cerca da casa, lixar o assoalho e encerar dezenas de carros. O rapaz atendia pelo nome de Daniel San (Ralph Macchio), o Sr. Miyagi (Pat Morita) era o seu mestre  e o filme era Karate Kid - A Hora da Verdade (The Karate Kid, EUA 1984), que contaria ainda com Karate Kid 2 - A Hora da Verdade Continua (The Karate Kid Part 2, EUA 1986) e Karate Kid 3 (The Karate Kid Part 3, EUA 1989). Com o sucesso da franquia os produtores bem que tentaram realizar um quarto filme e Karate Kid 4 (The Next Karate Kid, EUA 1994), não só é o mais fraco da cine série como também um filme desnecessário, pois só retorna a cena o Sr. Miyagi e agora a sua aluna é uma mulher vivida pela excelente atriz Hilary Swank, porém ainda em ínicio de carreira.

A dificuldade então em fazer o remake de um filme que tem legiões de fãs ao redor do mundo, que marcou toda uma geração nos anos 80 e que ainda ganha novos admiradores sempre que passa nos canais a cabo ou na TV aberta, não seria tarefa das mais fáceis. Porém o diretor holandês Harald Zwart, egresso de filmes menores e sem muita expressão, consegue um feito ao realizar de forma competente este remake e que faz jus ao filme original e Karate Kid (The Karate Kid, EUA 2010) é um filme que mesmo tendo uma história conhecida de todos irá causar certas surpresas ao público.

Sai de cena Daniel San e entre Dre (vivido pelo ator mirim Jaden Smith, filho de Will Smith), no lugar do Sr. Miyagi entra o Sr. Han (vivido por Jackie Chan de forma excepcional) e além dessas trocas sai de cena o Karate e entra o Kung Fu, isso mesmo apesar do título do filme ser Karate Kid, essa modalidade de arte marcial é só citada no filme. Além de um acerto que é primordial para todo o resto funcionar que é colocar toda a trama para se passar na China, local para onde se mudam Dre e sua mãe, logo após o falecimento do pai do menino e isso ocorre nas primeiras cenas do filme. Logo será em um país estranho que Dre ou Xiao Dre (como o Sr. Han trata o menino) irá viver todo os choques culturais, sofrer bullying por parte dos valentões do colégio, aprender Kung Fu e a falar mandarim, não sem antes conquistar o coração de uma colega de escola.

A fotografia utilizada no filme dá o tom certo a cada cena do longa. A cena filmada na Muralha da China é excepecional, entre muitas outras muito bem fotografadas e incluídas no longa.

A trilha sonora é outro ponto alto do filme, pois junta música instrumetal a canções de pop rock conhecidas do público ou a composições inéditas feitas somente para o filme. 

Porém o grande destaque do filme é a dupla central da história, pois desta vez o mestre no caso o Sr. Han tem certas pendências com o seu passado e somente Xiao Dre poderá ajudá-lo a resolver esse seu conflito interno, para que este possa seguir com a sua vida. Logo existe um troca entre aluno e mestre. E a química entre os atores é perfeita e ambos estão muito a vontade em seus personagens.

A filosofia chinesa também está presente no filme em frases ditas pelo Sr. Han ao seu aluno, para lhe ensinar o verdadeiro significado do Kung Fu, por isso vale a pena prestar atenção a estas, pois se refletirmos estas trazem verdadeiras lições de vida e é devido a uma atuação serena que o ator Jackie Chan nos surpreende neste papel.

Para a homenagem ser completa faltou somente o golpe executado por Dre na luta final ser o mesmo executado por Daniel San, porém o mesmo foi substituído por um outro, que apesar de não ter a mesma classe do golpe do filme original, não compromete em nada o resultado final deste excelente filme.

Tratando de assuntos sobre superação pessoal, vencer obstáculos e acreditar em sí mesmo, o filme vai aos poucos conquistando o público.

Em alguns momentos esta nova versão se mostra muito mais violenta nas agressões sofridas por Dre, do que sofridas por Daniel San no filme original de 1984, mas os tempos mudaram e a inocência dos anos 80 já estão bem distante, pois nesta versão entra também o choque cultural e o racismo.

O resultado final é excelente e as devidas homenagens ao original estão todas lá de forma sutil ou de forma mais explícita, como a primeira aparição do Sr. Han que vive uma cena clássica do primeiro filme que todo o público irá reconhecer de primeira.

Juntando todos esses elementos, boas atuações e uma roteiro ágil (apesar das 2h20min de duração) o filme faz jus ao original, presta as devidas homenagens e ainda prepara o terreno para uma continuação, que se for seguir os mesmos acertos do original terá motivos de sobra para superar o original e melhorar ainda mais a história e seus personagens.

Por todos esses aspectos Karate Kid merece ser visto na tela grande e honrar o original foi só o começo de uma franquia que tem tudo para ser tão boa quanto os originais dos anos 80... tirando o quarto filme é claro que foi um golpe completamente errado.

Um comentário:

  1. Vinte e seis anos após o seu debut, a série Karatê Kid é refilmada pelo diretor Harald Zwart, ( que não tem um currículo dos mais animadores). Confesso que estava um tanto quanto apreensiva, em especial com o fato de ser Jackie Chan no papel do inesquecível e icônico personagem de Pat Morita, mas Chan não procura ser (e de fato não é) o Sr. Miyagi e isso contribui muito. A nova “versão” têm seus méritos e consegue divertir sem ofender muito o filme original de 1984. Zwart apostou certo ao explorar bem a fotografia do local, destacando paisagens exuberantes da China.
    De negativo, é a história de manter Karatê no título de um filme que mostra Kung Fu, aí é forçar a barra demais.
    Para os ranzinzas como eu que acreditam que os filmes clássicos são os únicos que valem a pena e todas as novas produções não passam de lixo mercadológico, não terão como gostar do novo “Karate Kid”, mas ainda assim, o remake desse clássico tem o lado positivo de ser apresentado com uma nova roupagem para essa garotada que não nasceu na nossa época.

    ...

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