domingo, 18 de abril de 2010

Crítica - Mary e Max: Uma Amizade Diferente

Em plano século 21 onde a internet é responsável por unir pessoas de diferentes lugares do planeta. Em épocas de Orkuts, Twitters, Facebooks e muitas outras redes de relacionamento, pode-se dizer que ainda existem amizades verdadeiras? Pode uma amizade virtual atravessar décadas? E quando nada disso existia era possível manter uma amizade a distância, por anos a fio e enfrentando todos os problemas que uma amizade pode ter? É exatamente a resposta a essa última pergunta que o filme de animação "Mary e Max: Uma Amizade Diferente" (Mary and Max, Australia 2009) responde de forma singela e sem igual.

É verdade que o tema amizade já serviu de pano de fundo para várias histórias que foram levadas as telas dos cinemas, mas tratar o tema de forma tão sútil e pura era tarefa difícil e coube a está excelente animação conseguir tal proeza.

Logo no ínicio do filme os espectadores são apresentados a Mary Daisy Dinkles uma garotinha australiana de 8 anos de idade que não tem amigos e vive com os seus pais em uma pequena casa nos subúrbios de Melborne. A vida de Mary não é nada fácil, pois a sua mãe além de ser alcoolotra e cleptomaniaca, quase não liga para ela, assim como o seu pai que é ausente da sua vida . 

Com isso os "amigos" de Mary são o seu galo de estimação e os personagens de um desenho animado assistido por ela chamado "The Tootles" que tem como tema a amizade entre vários personagens. É essa carência por uma amizade verdadeira que leva a pequena Mary a resolver escrever aleatoriamente uma carta para alguém nos Estados Unidos e ao acaso chega ao nome de Max Jerry Horowitz e dai para frente as cartas escritas por ambos os personagens irá ser o fio condutor da trama.
Além de tratar do tema amizade, o filme trata de outras questões como solidão, depressão, esperança, sonhos, anseios e muitos outros temas que são sempre as angústias que todo o ser humano tem ao longo da sua vida.

Um grande acerto do filme é utilizar praticamente ao longo de toda a projeção a narração in-off para contar a história, são raríssimas as vezes que os personagens abrem a boca para dizer alguma coisa, porém tudo o que pensam é narrado aos espectadores pelos pensamentos desses personagens.

O visual do filme é outro grande acerto, a vida de Mary as vezes fica colorida em tons de marrom e mais leves do que os tons de cinza utilizados quando nos é narrada a vida de Max, talvez a única cor na vida de Max seja o desenho que Mary faz de si mesma para mandar para Max em sua primeira carta  para ele e um pompom vermelho, que Max passa a usar em cima da sua cabeça, presentes que veem por parte de uma amizade verdadeira que começam a dar cor a sua vida.

Porém todas as amizades verdadeiras tem seus altos e baixos, pois nada é perfeito na vida. As décadas passam a amizade dos dois atravessam estas e mesmo distante ambos se ajudam, se decepcionam, pedem desculpas, enfim tudo o que uma amizade verdadeira exige.

Outro detalhe é que praticamente existem referências escondidas de formas sutis ao longo de todo o filme, seja nos pensamentos dos personagens ou nos títulos de livros ou em objetos que compõem o cenário. Tudo funciona de forma perfeita e harmônica e contribui para o conjunto da idéia central do filme.

No final não será surpresa se algumas lágrimas escorrerem pelos cantos dos olhos, pois o que se passou na tela é uma história de amizade sincera, que vem de dentro de cada um de nós... na verdade vem de dentro dos nossos corações.

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