segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crítica - As Aventuras de Tintin

Não é de hoje que o diretor Steven Spielberg tenta levar as telas o personagem Tintin, criado pelo belga Hérge, porém o diretor esbarrou com um pequeno problema, o fato do mercado americano não acolher bem o personagem, logo o projeto permaneceu engavetado por duas décadas. Até que ao unir forças com Peter Jackson (diretor da trilogia O Senhor dos Anéis) o projeto voltou a tona e na forma de uma animação por captação de movimentos de atores de carne e osso, que também emprestam as suas vozes para os personagens e "As Aventuras de Tintin" (The Adventures of Tintin, EUA 2011) se tornou realidade.

A trama se baseia em duas revistas do personagem O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rakhan o Terrível. Tudo começa quando Tintin compra em uma feira de antiguidades um barco conhecido como Licorne e logo um estranho aparece para tentar comprar o barco, porém Tintin não vende o barco e o leva para a sua casa não sabendo que o mesmo esconde um segredo. Ao chegar em casa Tintin desconfia que o barco deve ter algum segredo e começa a pesquisar sobre o mesmo. Isso leva o jovem reporter e o seu inseparável companheiro Milu, o seu cachorro de estimação, a biblioteca da cidade atrás de fatos que podem elucidar o mistério. Porém ao voltar para casa Tintin descobre que o seu apartamento foi arrombado e o barco roubado e isso será o estopim de toda história.

É a partir desse roteiro que Spielberg  faz um dos seus melhores filmes de aventuras das últimas décadas, pois tudo o que o diretor sempre soube fazer de melhor ele colocou em prática novamente, e cenas de ação grandiosas, perseguições e um roteiro que leva os personagens a várias partes do globo serão as armas do diretor para manter a atenção do público nos 104 minutos que duram a projeção.

Outro ponto que chama a atenção no filme é a técnica de captação de movimentos que foi utilizada por Peter Jackson para dar vida ao personagem Gollum da trilogia o Senhor dos Anéis, além disso o ator Andy Serkis foi chamado para viver o Capitão Haddock, que irá se tornar um dos companheiros de aventura de Tintin. E para fechar todo o pacote tudo foi filmado em 3D o que garante uma imersão ainda maior na trama.

As cenas de ação, que não são poucas, foram minuciosamente planejadas pelos roteiristas e depois filmadas por Spielberg de forma a tirar todo o proveito das mesmas e da atuação dos atores. Isso garantem cenas grandiosas como a fuga pelas ruas de Barkhan e do climax do filme no porto.

A trilha sonora do filme ganha um destaque ainda maior nas cenas de ação e constitui uma peça fundamental para a trama, criando todo o clima necessário para as cenas.

Outro ponto alto do filme é o 3D, Spielberg soube explorar muito bem a tecnologia e a utiliza de forma a tirar o melhor proveito nas cenas que exigem que imagens saiam da tela e por outro lado quando necessita dar profundidade as cenas. Tudo isso ainda fica melhor ainda se assistido no formato IMAX 3D, onde a imersão será realmente total. Por isso se for possível assistir ao filme neste formato irá valer muito a pena, além da diversão ser maior ainda.

Com várias qualidades o filme é diversão garantida para os fãs dos quadrinhos do personagem, como para aqueles que conhecem o personagem, mas nunca leram as suas revistas (e depois de ver o filme com certeza podem virar leitores das revistas) e para aqueles que nunca ouvirão falar do personagem. Um filme que coloca Spielberg de volta aos seus velhos tempos e do cinema que o consagrou como diretor.

O próprio final do filme já deixa claro que mais aventuras do reporter Tintin estão por vir nos próximos anos, só que desta vez haverá uma inversão dos papéis de diretor e produtor executivo, pois apesar do filme não ter ido bem nos Estados Unidos esta indo bem nas bilheterias no resto do mundo e isso já é mais do que motivo para mais um filme pelo menos, ou quem sabe o personagem não caia nas graças dos americanos e mais aventuras sejam produzidas, histórias e aventuras é o que não faltam.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Crítica - Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras

Quando o primeiro filme foi lançado no natal de 2009 nos EUA o diretor Guy Ritchie queria dar uma nova roupagem ao detetive inglês que através do seu poder dedutivo aguçado conseguia desvendar os mais intrigados mistérios. O objetivo de Ritchie era mostrar ao público um lado de Sherlock que somente quem lerá os livros de Connan Doyle conhecia, além de modernizar um pouco o personagem e todos os seus objetivos foram alcançados e lógico que uma continuação era mais que esperada.

Dois anos depois Sherlock Holmes (novamente vivido por Robert Downey Jr.) volta as telas do cinema ao lado do seu parceiro de aventuras Dr. Watson (Jude Law). Desta vez Sherlock se vê as voltas com um dos seus mais difíceis casos e enfrentando o seu arquinimigo Professor Moriarty (Jared Harris) que pretende promover a primeira guerra mundial fazendo com que as nações européias entrem em choque.

Se no primeiro filme Moriarty só era citado ao final do filme e só aparecia nas sombras, agora neste segundo episódio ele finalmente irá ser a peça central da trama. E não é só o vilão que é novo neste filme, novos personagens são apresentados ao público, como por exemplo o irmão mais velho do detetive, Mycroft Holmes (Sthephen Fry) e tão inteligente quanto Holmes. Outra personagem que foi criada especialmente para o filme que irá unir forças com Holmes e Watson é a cigana Madame Sinza (vivida pela atriz sueca Noomi Rapace).

Como era de se esperar o segundo filme teve uma produção muito maior do que o primeiro, se a trama do primeiro envolvia mais cenas de ação ao longo de todo o filme, este segundo apresenta um roteiro muito mais elaborado, além de levar Holmes e Watson para vários países europeus, logo o filme irá passar por Londres, Paris, Alemanha e Suiça a medida que o detetive vai elucidando a trama criada por Moriarty.

As cenas de ação são mais grandiosas e elaboradas do que no filme anterior, mas não são o centro do roteiro, desta vez o foco é o poder detutivo do detetivo, porém mais uma vez Ritchie utiliza a câmera lenta para apresentar ao público como o detetive irá se livrar de seus inimigos antevendo as suas ações. A cena de ação mais grandiosa do filme é sem dúvida a fuga pela floresta, filmada com câmeras especiais foi possível captar em câmera lenta e com um ângulo muito maior as explosões as balas de canhão destruindo árvores e tudo mais por onde passa, realmente é uma das melhores sequências do filme, ao lado da cena em que Holmes confronta Moriarty durante uma partida de xadrez no clímax do filme.

A trilha sonora permanece a mesma que já havia sido criada para o anterior e somente serve para se fixar ainda mais como a música tema do personagem. Algumas sequências de ação ainda se valem da trilha sonora para dar mais emoção a elas.

O filme pode não agradar ao público em geral como o primeiro filme, porém os fãs de Holmes que leram os livros irão gostar mais deste filme do que do seu antecessor, por ser um retrato mais fiel do detetive. E lógico muitos irão identificar várias passagens dos livros. Inclusive o confronto final entre Holmes e Moriarty.

Com todos esses acertos Guy Ritchie estabelece de vez a franquia no cinema e pavimenta o caminho para mais um filme do personagem pelo menos, pois como o próprio Holmes diria é mais que elementar que mais casos estão por vir e se permanecer nesta linha se tornando ainda melhores a cada filme da franquia.