Quando a adaptação de "A Menina que Roubava Livros" (The Book Thief, Alemanha/EUA 2014) foi anunciada a algum tempo atrás, pensei logo que transpor para as telas toda a complexidade do livro escrito por Markus Zusak, não seria uma tarefa fácil. Porém o próprio autor cuido do roteiro do filme e soube transpor para as telas o essencial, para que o mote central da trama do livro estivesse no cinema.
Assim como no livro, somos apresentados a Liesel (a atriz canadense Sophie Nélisse em seu primeiro trabalho em um filme de língua inglesa), por ninguém menos que a própria morte e esta conta aos espectadores que tem uma certa admiração pela garota, e será quando o irmão de Liesel vem a falecer durante os primeiros minutos da projeção que a menina irá roubar o seu primeiro livro e a morte terá o seu primeiro contato com Liesel.
Ao chegar ao seu destino Liesel conhece Rosa Humbermann (Emily Watson) e Hans Humbermann (Geoffrey Rush), que viram a ser os seus pais adotivos e será com eles que a menina irá passar por todas as agruras da Segunda Guerra Mundial em plena Alemanha Nazista. Porém quem já leu o livro vai sentir falta de alguns elementos, como por exemplo a juventude hitlerista, grupo do qual Liesel faz parte e pouco é mencionado no filme. Um outro elemento que foi bastante reduzido da versão cinematográfica foram as inúmeras narrações in-off da morte durante toda a história, que no filme se reduziu a poucos momentos.
Porém se existem vários elementos do livro que foram reduzidos ou simplesmente omitidos da versão cinematográfica. Outros foram aproveitados de forma a trabalhar a favor da narrativa, como por exemplo a amizade de Liesel e Rudy (o menino que se apaixona pela garota e insiste que deve ganhar um beijo dela) e as conversas entre a menina e Max (o judeu que vai se esconder na casa dos Hubermann).
A direção de arte e a fotografia do filme recriam com certa perfeição, os cenários que se imaginava ao ler o livro, além da trilha sonora criada por John Willians para o filme servir para ambientar de forma correta a narrativa do filme.
E se ao longo do livro nos deparamos com vários momentos emotivos, na versão cinematográfica que tem 131 minutos de duração, estes estão reservados somente para a parte final da projeção e não são menos lacrimejantes assim como no livro.
Ao final da projeção ficará a certeza de que alguma coisa faltou na versão cinematográfica de "A Menina que Roubava Livros", porém como foi dito antes, transpor para as telas toda a complexidade do livro renderia uma produção muito mais elaborada e com uma maior duração. Porém esta versão não compromete o excelente livro de Markus Zusak, além de trazer o essencial para as telas dos cinemas e de certa forma acessível para todos aqueles que não tiveram a oportunidade de ler o livro.
Mesmo que se sinta fa;ta de algumas belíssimas passagens do livro, a mensagem final continua impactante e com direito a narração da morte e a forma como essa enxerga a humanidade como um todo. E esse será a grande lição que iremos tirar tanto ao assistir ao filme ou ler o livro.


Nenhum comentário:
Postar um comentário