Após a retomada do cinema nacional, muito bons filmes foram feitos e outros não tão bons assim, porém todos contribuiram de uma forma ou de outra para a maturidade do nosso cinema, que aos poucos cai no gosto do espectador, que antes só estava acostumado aos filmes made in USA. E "Assalto ao Banco Central" (Brasil, 2011) é mais um exemplo de bom cinema nacional.
A trama se baseia no caso real ocorrido em Agosto de 2005, quando um grupo de ladrões planejou meticulosamente uma maneira de entrar no cofre do Banco Central em Fortaleza e roubar R$ 164.7 milhões. O grupo passou quatro meses cavando um túnel que os levaria ao interior do cofre, onde só roubariam notas de R$ 50,00 que estavam para serem incineradas. Todo esse planejamento levou a todos os envolvidos a cometer o maior roubo a banco do século e isso tudo sem disparar um único tiro, fazer soar um alarme sequer e após terem sido gastos milhares de reais com todo esse planejamento.
No elenco estão Eriberto Leão (Mineriro), Hermila Guedes (Carla), Milhem Cortaz (Barão), Lima Duarte (Chico Amorim) e Giulia Gam (Telma Monteiro), que compõem o núcleo central do filme, além das participações especiais de Daniel Filho, Cassio Gabus Mendes e Milton Gonçalves.
O grande trunfo do filme e a sua maior contribuição para o cinema nacional é a sua montagem, pois o filme não tem uma narração linear e vai e volta no tempo para retratar o caso que deixou todo o país com muitas perguntas até hoje. Montado de uma forma ágil e em alguns momentos se utilizando até mesmo de uma câmera mais rápida o diretor Marcos Paulo consegue imprimir o ritmo certo para a narrativa do filme, sem que o público fique disenteressado logo pela trama central do filme.
Como o caso não foi elucidado e muitas perguntas são feitas até hoje a seu respeito, os roteiristas tiveram que preencher as lacunas que faltavam para que o roteiro se fechasse por completo. Logo quem acompanhou o caso nos jornais da época irá perceber o que é realidade e o que é ficção no filme, porém essas inclusões não atrapalham no resultado final do longa e até coloca alguma luz no que pode ter ocorrido realmente.
Como todo filme policial existem cenas violentas e que podem incomodar um pouco o público, como as cenas de sexo protagonizadas pela personagem Carla ou a cena da tortura de um dos integrantes do bando por policiais corruptos que querem uma parte do dinheiro roubado para si. Porém esses momentos se encaixam perfeitamente na trama e apesar de serem um pouco exagerados não estragam narrativa do filme.
A trilha sonora foi bem escolhida e enriquece ainda mais as cenas onde a música é necessária para pontuar a ação que está passando na tela e criar um certo suspense quando for o caso.
Ao final o público terá assistido a mais um bom filme nacional e agora podemos ter certeza que com todo o cuidado que os diretores e produtores estão tendo com os filmes nacionais, logo iremos ter mais blockbusters, como foi o caso de "Tropa de Elite 2", e definitivamente o Brasil irá voltar para a rota do cinema mundial.


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