Sempre me venderam a idéia de que tanto o livro quanto o filme "Comer Rezar Amar" (Eat Pray Love, EUA 2010) era totalmente "mulherzinha", porém para a minha surpresa existe muito mais por trás do que somente uma história de amor, existe ali uma história sobre o auto-descobrimento. Uma história que faz você refletir sobre vários aspectos da sua vida e não é difícil de se identificar com a personagem Liz Gilbert (autora do livro na vida real) vivida pela atriz Julia Roberts.
Liz é casada, tem uma boa casa e uma carreira de sucesso. Porém não se sente feliz ao lado do marido e resolve então se divorciar e se lançar em uma viagem para que ela se conheça a si mesma e será nesta viagem ao redor do mundo, que a personagem irá levar o público para refletir sobre várias questões da vida.
A viagem começa pela Itália, mais precisamente na cidade de Roma. Será nesta cidade em torno das suas ruínas e vielas que Liz irá começar a sua jornada. Em meios aos pratos de massa, vinhos e doces e conversas com pessoas que cruzam o seu caminho, que ela irá entender que existem momentos na vida em que você deve se entregar a certos prazeres sem se culpar por aquilo e sem arrependimentos. Outra passagem interessante, ainda em solo italiano, é a visita que a personagem faz a uma ruína e escuta de um dos seus amigos italianos que as vezes na vida devemos ser igual as ruínas que são destruídas, porém resistem ao tempo e as adversidades e são restauradas, ou seja, seria um renascimento. E esta é uma das grandes lições do filme as vezes devemos chegar ao fundo do poço para então somente nos reerguermos.
A segunda parada da viagem é na Índia, onde Liz vai para aprender a rezar e meditar. Logo ao chegar ela conhece um homem que esta ali para meditar e se livrar de um trauma que o atormenta a anos. Será com essa amizade que Liz irá aprender que para seguir na vida ela deve perdoar as pessoas e não guardar ressentimentos, pois magoas passadas não fazem bem a ninguém.
Por fim o filme nos leva a Bali, e nesta exótica ilha da Indonésia, onde os caminhos de Liz irão cruzar com uma menina pobre e sua mãe, que nutrem o sonho de ter uma moradia na ilha, com um guru (personagem que Liz conheceu em uma das suas viagens anteriores a Bali) e com um brasileiro chamado Felipe (vivido pelo ator Javier Barden) com o qual ela irá aprender a amar.
O destaque maior do filme é a belíssima fotografia, que é perfeita para narrar a jornada de auto-conhecimento da personagem. Pode-se até dizer que a fotografia é sem sombra de dúvidas uma "personagem" do filme.
Outro destaque é a trilha sonora, que tem canções brasileiras em seu repertório no momento em que a personagem está em Bali ao lado de Felipe.
Porém existe um ponto fraco no filme, se as passagens pela Itália e Índia não sejam consativas e passem até "rápidas" demais, a viagem da personagem por Bali que deveria ser o ponto alto da história, as vezes se perde e se prolonga demais, para contar o que todo o público já sabe o que vai acontecer. Neste momento faltou ao diretor Ryan Murphy (egresso de séries de TVs como Glee e Nip/Tuck) dar mais agilidade ao filme no momento do seu desfecho, que se mostra um pouco morno.
Tenho que confessar que o filme me surpreendeu, apesar das poucas falhas que encontrei no mesmo, pois é muito difícil não se identificar com algumas das histórias ou situações que cruzam o caminho de Liz, na sua jornada pelo auto-conhecimento.
O resultado final é um bom filme sobre auto-conhecimento, se livrar de mágoas passadas, seguir a vida e ter sempre a esperança que dias melhores virão, mas para isso acontecer é preciso antes de mais nada se conhecer, perdoar e voltar a amar.


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