domingo, 15 de agosto de 2010

Crítica - O Pequeno Nicolau

Em minha época de colégio a classe era composta por certos tipos que com certeza eram característicos em qualquer sala de aula mundo afora. Então sempre se tinha aquele aluno que era o mais popular, o gordinho, o desligado, o sabe-tudo e o puxa-saco da professora, entre muitos outros tipos e ao assistir recentemente a "O Pequeno Nicolau" (Le Petit Nicolas, França 2009) pude retornar a esta fase da infância que era cheia de inocência e qualquer problema podia ser resolvido, lógico que não sem um toque a mais de criatividade e imaginação.

E é desta premissa que parte o filme. Nicolau (vivido pelo ator mirim Maxime Godart) escuta em seu colégio um coleguinha comentar que quando chega um bebê novo na família o primeiro filho é esquecido e abandonado em uma floresta pelos pais, para que estes possam cuidar do novo filho. O mesmo menino ainda diz como reconhecer os "sintomas" da chegada do novo bebê na família e para surpresa de Nicolau os pais começam a agir da forma que este havia escutado no colégio. Logo o menino não tem dúvidas que será abandonado na floresta pelos pais. 

Nicolau então recorre ao auxílio dos seus amigos para afastar a ameaça de perto dele e é a partir deste ponto que a imaginação dos garotos irá correr solta ao longo do filme inteiro. Comentar qualquer coisa aqui seria estragar as inúmeras surpresas que este filme guarda em seus 95 minutos de duração e que vai cativando a platéia a medida que se aproxima do seu clímax.

O diretor Laurent Tirard faz um filme a altura da obra de Rene Gosciny (sim o personagem é mais uma criação de Gosciny que também trouxe ao mundo o personagem Asterix e toda a sua turma) e todo o universo infantil é tratado da forma que deve ser tratado. E em um determinado momento do filme em uma das tentativas que os meninos fazem para... ops... melhor não comentar... mas a homenagem a Asterix está ali e não precisa ser fã deste personagem para reconhecer a referência e diga-se de passagem rende um dos momentos mais engraçados do filme, entre vários outros.

Outro aspecto interessante do filme é como o roteiro amarra de forma inteligente, as situações que são tramadas pelo núcleo infantil do filme  e reflete isso no núcleo adulto do filme. Pois estes dois núcleos se entrelaçam de forma tão perfeita que as consequências das ações de um irá causar uma situação inusitada no outro núcleo e vice-versa. Isto é sem dúvida alguma um acerto primoroso do roteiro e porque não uma aula de como se fazer um bom roteiro e não deixar pontas soltas.
 
Mesmo tendo pouca duração (o filme dura 95 minutos incluindo os créditos iniciais e finais), o filme passa a sua mensagem e faz com que o público se enxergue dentro de um daqueles personagens ou reconheça alguém que fez parte da sua infância na época do colégio.

Com tantas qualidades a seu favor "O Pequeno Nicolau" é um filme para ser visto e revisto, pois o mesmo é  leve e agradável de se assistir. Tantos os adultos quanto as crianças irão se divertir e ao final da sessão com certeza irão querer um pouco mais de tudo aquilo. 

"O Pequeno Nicolau" é sem dúvida alguma um dos melhores lançamentos de 2010 até o momento e com toda certeza já tem lugar garantido entre os indicados ao Oscar de melhor filme de língua estrangeira no ano que vem. Não tomarei por surpresa se levar a estatueta e será com honra ao mérito.

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