
Com a chegada das novas tecnologias e os desenhos animados todos passando a serem feitos por computador, parecia ser quase impossível para a animação tradicional ter espaço novamente em um mercado cada vez mais ávido pelos mundos virtuais em 3D. Porém como para a
Disney nada é impossível e basta somente acreditar que as coisas irão funcionar ela aposta as suas fichas novamente na animação tradicional e nos dá um conto de fadas moderno como a muito tempo não se via nas telas cinemas.
Aliando um roteiro eficiente, música de primeiríssima qualidade (estamos falando de jazz, precisa dizer algo mais?) e resgatando toda a magia que a Disney sempre teve em seus clássicos, o estúdio dá ao público um filme mágico em todos os sentidos e "A Princesa e o Sapo" (The Princess & The Frog, EUA 2009) é um encanto só. Não falo isso por ser fã da Disney e procuro ser sensato nas minhas críticas julgando realmente o filme em todos os aspectos.
O filme começa com Tiana ainda criança escutando de sua mãe uma história sobre a princesa que beija um sapo e este se torna um príncipe encantado se casando com a princesa posteriormente. Um pouco mais a frente somos apresentados ao pai de Tiana que trabalha duro para manter a sua família, mas mantêm o sonho de montar o seu próprio restaurante e ensina a Tiana que o maior poder para a realização de um sonho está dentro do coração de cada um de nós e só assim esses se tornam realidade.
Os anos passam e encontramos Tiana já adulta e determinada a cumprir o sonho de seu pai que já não está mais entre ela e sua mãe. Ao mesmo tempo chega a cidade o Príncipe Naveen que deve arrumar uma noiva rica e se casar. É neste momento que cruza o caminho de Naveen o vilão da história, o Homem das Sombras (tradução em português para o personagem Dr. Facilier) que é um mestre voodu que se vale da magia negra para dominar a cidade e pagar a sua dívida com os espíritos malignos.
Naveen então é enganado pelo Homem das Sombras que o transforma em sapo e ainda é traído pelo seu assistente, que devido aos anos de humilhação vê a chance de ser rico caso o pacto que sela com o vilão venha a ser cumprido.
Lógico que Naveen esbarra em Tiana e a confunde com uma princesa, só que está também é transformada em sapo após o beijo que supostamente quebraria o feitiço do Homem das Sombras, logo os dois irão ter que colaborar um com o outro se estes quiserem ser humanos novamente.
E mais um acerto da Disney em relação ao longa é colocar tudo o que deu certo nos filmes anteriores do estúdio neste daqui. Sem contar nas homenagens aos filmes clássicos da Disney que estão espalhados por todo o longa. Basta reparar na estante de bonecas na primeira cena onde Tiana escuta a história as princesas dos outros filmes da Disney estão lá, ou mesmo no molde que a mãe de Tiana usa para costurar, é o mesmo que estava presente em Cinderela, ou nos carros alegóricos no desfile de Carnaval pelas ruas de New Orleans... e mesmo a Pequena Sereia Ariel aparece representada no filme na cena do baile de máscara... homenagens justas para os filmes responsáveis por todo o sucesso do estúdio ao longo de todos esses anos.
Os personagens secundários criados para auxiliar Naveen e Tiana em sua jornada são igualmente cativantes e os destaques ficam por conta do jacaré tocador de jazz Louis e do vaga lume Ray.
As sequências musicais também estão presente no longa e caem como uma luva na narrativa, antes isso só havia ocorrido com o "Rei Leão" (The Lion King, EUA 1994) que teve a sua trilha composta por Elton John e isso já fazem 15 anos.
Unindo uma história correta com muitas mensagens - tradição Disney neste segmento - o filme encanta a plateia e mostra que a animação 2D ainda tem muito a ser explorada e que possibilidades é que não faltam.
A palheta de cores escolhida para retratar a cidade de New Orleans e os pântanos (onde a maior parte da ação se passa) são perfeitas, e não comprometem os belíssimos cenários desenhados para o filme.
Ahh e lógico que não poderia faltar a estrela sempre brilhante no céu batizada de Evangeline para a qual os personagens sempre se voltam para pedir por ajuda nos momentos mais difíceis.
E como diria Walt Disney em uma de suas célebres frases "O sonho da Disney nunca irá estar completo enquanto houver a imaginação humana". E parece que o sonho está muito distante de acabar e resta ao público somente desejar para uma estrela brilhante no céu que outros filmes deste mesmo quilate e magnitude sejam produzidos e que os magos da Disney voltem a nos levar para mundos cada vez mais mágicos, cheios de sonhos e fascinantes.
No final da projeção o público irá sair do cinema com a certeza que cabe somente a cada um nós realizar cada um dos nossos sonhos sejam eles quais forem.